terça-feira, 16 de agosto de 2011

Esse teatro dos vampiros



A astúcia da mediocridade está em seu simulacro de boa vontade cultural. Compelido a performatizar em estatuto de grandeza autêntica e elevada, essa alma pálida de ausência de vida, tenta compensar suas fragilidades ilimitadas com falsas aparências sobre si mesma. Investe compulsivamente suas aspirações fracassadas por auto-realização existencial em macaqueada caricatura de reconhecimento sem conhecimento do que diz saber fazer e do que realmente sabe fazer. Ainda que realista de sua real condição de pobreza espiritual, mas covarde em explicitá-la em seus atos de fala,  essa sombra de “gente autêntica” veste a persona do desejo a fim de resgatar ou criar a falsa sensação de completude. Malgrado seu esforço sincero de re-articular uma auto-relação prática e positiva consigo mesmo, o fraco, o desgraçado, de forma doentia, acaba por se deixar parasitar pelos seus sonhos e os converte em delírios de grandeza. Como um morto-vivo que “vive” de se alimentar da vida não verdadeiramente sua, ele extrai enquanto necessidade feita virtude, a “beleza do crime” e perde com o tempo qualquer virtude de modéstia, resultando na total auto-alienação crescente do seu senso de prudência e de decadência moral.  Em seu lugar, “sobrevive” o culto do auto-elogio encantado. Pelo menos até correr o risco de ver sua vaidade ser profanada por outrem. Quando isso ocorre, louco, reage com todas as armas do orgulho imbecil,... ressentimento, rebaixamento, soberba e auto-fetiche.




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